20.8.12

deep

“Sei que um dia te vais lembrar de mim, e os números da tua agenda passarão claramente à tua frente e não terás nenhum para marcar. talvez até tentes o meu, mas até lá posso não te atender e talvez aquele já nem seja o meu número. vais tentar chamar alguém, mas não haverá ninguém que largue tudo para te ir dar um abraço. nessa fracção de segundo, quando os teus pés perderem o chão, vais-te lembrar do meu carinho e do meu sorriso inocente. virão súbitas memórias dos nossos momentos. e só haverá uma música a repetir no teu rádio: a nossa. e num novo momento vais sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vais torcer bem forte para ter o nosso mundo de volta. […] o nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. quando finalmente bateres na minha porta ela estará trancada, ou se aberta, mostrará uma casa vazia. os teus olhos vão ensinar-te o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. e vais lembrar-te das nossas conversas, da minha inocência que ria de tudo o que dizias, do meu jeito te tentar fazer feliz. o nome do enjoo que vais sentir é arrependimento e a falta de fome será a tristeza, a mesma que eu senti por tanto tempo. um dia quanto te deitares e olhares para o tecto do teu quarto escuro, vais-te lembrar que as estrelas poderiam lá estar para iluminar as tuas noites frias, mas tudo o que vais ver é a escuridão. e quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar como eu olhava, vais encontrar a solidão. e vais ver que diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter sido perdoáveis.”